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"Igualdade de gênero é uma consciência política"

Atualizado: 20 de Dez de 2018


São Paulo, 27 de setembro de 2018. A escritora sueca Katarina Bivald será uma das participantes da 10ª edição do Tarrafa Literária que acontece em Santos neste mês do dia 26 a 30. Ao lado da também escritora Giovana Madalosso, Bivald falará sobre a questão de igualdade de gênero no dia 30, às 15h, no Teatro Guarany -- a entrada é franca.


Bivald, cuja formação acadêmica é em Ciência Política com ênfase em gênero, trabalhou em uma livraria e alimentou seu gosto pela leitura e literatura. Ela é autora de “A livraria dos finais felizes”, publicado em 28 países, que fala de livros e o prazer da leitura – best-seller do New York Times e USA Today.


A escritora vem ao Brasil convidada pela Embaixada da Suécia e do projeto Diálogos Nórdicos, que é encabeçado pelos países nórdicos no Brasil (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia) e o Instituto Cultural da Dinamarca. “Projetos como o Diálogos Nórdicos fortalecem o diálogo e a cooperação entre pessoas com experiências diversas, e isso é importante para o debate”, diz Bivald. “Há uma consciência política em todos os meus livros, o feminismo, o antirracismo e as pessoas LGBTQ. Acredito firmemente que finais felizes são políticos. Esse tema tenho falado em outros países que visito.”


Aqui no Brasil, o Diálogos Nórdicos fomenta o diálogo intercultural compartilhando experiências, pesquisa e cultura dos países nórdicos no Brasil e, principalmente, estimula o debate em torno de assuntos específicos como a igualdade de gênero, tema deste ano -- o s próximos serão transparência (2019) e sustentabilidade (2020).


Leia, a seguir, a entrevista exclusiva da autora sobre a vinda dela ao Brasil:


É sua primeira visita ao Brasil?

Sim, esta é minha primeira viagem ao país e praticamente quero ver absolutamente tudo! A expectativa é experimentar tudo o que puder durante a minha estadia.


Você falará sobre igualdade de gênero no Tarrafa Literária. O tema é corrente para você?

Há uma consciência política em todos os meus livros, como o feminismo, o antirracismo e as pessoas LGBTQ. Acredito firmemente que finais felizes são políticos. Esse tema tenho falado em outros países que visito.


Ser da Suécia, onde a igualdade de gêneros é mais visível, a torna mais consciente dos países em que a igualdade não existe?

Sim e não. Penso que a igualdade de gênero não óbvia assim, em que um país tem e outro, não. Há mulheres fortes em todos os países, lutando pelos direitos delas pelos direitos de outras pessoas. Quanto mais viajo, mais admiro a força inerente em ativistas do mundo todo, mesmo que as condições que enfrentam sejam diferentes.


O que sabe sobre igualdade de gêneros no Brasil?

O Brasil é incrivelmente um país interessante dentro da perspectiva de igualdade de gêneros. A lei de cotas para mulheres garante uma representação política que é atualmente maior do que outras democracias mais antigas como os EUA. Embora o número de mulheres no Congresso diminuiu levemente na última eleição, é ainda encorajante. Li em um estudo recente que coloca o Brasil como líder quando se trata de mulheres na Ciência: 50% de todos artigos publicados em jornais científicos são assinados por mulheres. Ao mesmo tempo, fiquei chocada como o resto do mundo com o assassinato em estilo de execução da ativista feminista Marielle Franco. Eu admiro o trabalho e o legado dela.


E sobre literatura, o que conhece dos autores brasileiros?

O escritor brasileiro mais famoso na Suécia é, sem dúvida, Paulo Coelho. “O Alquimista” é um grande bestseller lá. Eu lembro que vendia muito a edição quando trabalhava na livraria, e as pessoas continuaram a comprá-la nos anos seguintes, assim como seus outros livros. Paulo Coelho aparece regularmente na lista de autores favoritos das pessoas. Eu também gosto muito dele, mas atualmente tenho admirado alguns autores novos brasileiros. Amei “Barba ensopada de sangue”, de Daniel Galeras (São Paulo) , e estou ansiosa para ler “A cabeça do santo”, de Socorro Aciolis (Fortaleza). Soa maravilhoso.


Você está trabalhando em um novo livro?

Sim, estou. Meu terceiro romance (Pine Away Motel and Cabins, ainda nçao traduzido para português) acaba de ser publicado na Suécia, sobre um personagem principal que morre no primeiro capítulo e continua como um fantasma, narrando a história e tentando resolver a vida de seus melhores amigos.

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Embaixada da Suécia

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